segunda-feira, 26 de novembro de 2007

OS TEMPLOS VIVOS PERDEM LUZ

O homem está entregue ao sonho, de sua sorte não cuidando e, com passo calado o céu vai dando voltas, e as horas do viver vai lhe furtando.

(frei Luis de Leon – monge místico espanhol do século 15)

Esquece o homem que nele contém tudo o que há no céu e na terra, o superior e o inferior, deixando-se na maioria das vezes se levar pelo inferior .

Em geral, para as pessoas isso não importa, porque estão totalmente absortas nas necessidades mundanas que elas mesmas criam desnecessária e abusivamente.

Guiam-se pelas formas e brilhos das ilusões temporais, não prestando mais atenção às questões mais elevadas do ser e de ser.

Fazem mau uso da liberdade com que são dotadas e dedicam-se às construções de palácios ao ego, verdadeiros pedestais para exibirem vaidades.

Primam pela ostentação, entre si, trocam favores e posições em benefícios próprios.

A alteridade jaz moribunda.

A solidariedade e a compaixão estão desfalecidas.

Impera o vazio que buscam preencher com títulos, bens e honrarias, fortalecendo o peso do corpo e dos sentidos, contra a fortaleza do espírito e da vida.

Utilizam-se de prerrogativas individuais, da vontade pessoal autoritária, do eu arbitrário e escudam-se em leis patrocinadas por grupos egóicos, para fomentar em cada sistema os erros logóicos, uma suposta verdade ou uma nova lei, em detrimento da verdade única que é a lei imutável do amor.

No coração do homem, a Luz se extingue ao correr dos dias.

Contudo a Escada ainda está posta, os anjos ainda rondam no espaço circundante, a Esperança ainda sopra e o anelo sobrevive.

Mesmo e apesar de todos os riscos.

Vilemar F Costa

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