segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

LAPIDÁRIOS

1

A vida é uma corrida de revesamento de bastão.

Quando o que iniciou está se esgotando, passa o bastão ao outro para que ele prossiga por um tempo, uma temporada ou um àtimo de nada, até que esse outro que recebeu transfira o bastão, para que outro siga adiante ou estacione no aguardo daquele que virá prosseguir.

2

Tudo na vida é servir e produzir, até aquele que se nega servir e que nada produz está a servir o desserviço e a produzir o improdutivo.

3

Ao olharmos ao outro que não olhemos apenas para ver a posição em que ele está, mas para comparar com a posição em que nós estamos, se acima, que se dê a mão ao outro debaixo, se abaixo, que se observe quais os meios que o outro se utilizou para estar onde está, se fôr posição digna e de seu interesse, conquanto que não lhe custe a alma e nem ofenda ao espírito, mire-se nesse outro e ponha em prática os meios de ascensão observados.

4

Busquemos viver, não a sociedade do espetáculo, em que nos vestimos, nos calçamos, estudamos ou trabalhamos, para estar à frente, parecer melhor que um outro, ser mais visto ou melhor projetado.

Poderemos até banharmo-nos na margem das águas da sociedade de consumo, que é diferente da sociedade do espetáculo, mas com cuidado para não atravessar a tenue linha que separa uma da outra, portando-nos com modéstia de desejos temporais, consumindo o que nos fôr minimamente necessário, não criando expectativas de novas necessidades, nem inflacionando as que já existam ou que acaso julguemos necessárias.

5

A realidade da vida é dura, algumas vezes pesada, quase sempre contraditória induzindo a escolha de opções.

Mas isso não nos deve tornar menos solidários com as pessoas e os seres que necessitam de ajuda.

Mergulhemos nas contradições, não fujamos do conflito dos opostos e da dualidade pois são como águas de um rio caudaloso que precisamos atravessar para chegar à outra margem.

Mergulhemos nas contradições e na alteridade dialógica dos opostos, enfrentemo-las como carpas e como Quixote, mesmo sofrendo as consequencias de tal ousadia, mas tendo bem claro o fito de retornar a uma das margens do caudaloso rio tão logo possível.

6

A utopia é apocalíptica.

A utopia da alteridade sócio-comunal é o apocalipse profético de um sonho.

Utopia é algo que se refere com sociedade.

Eis o que falta ao homem : Sonhar

Eis o que falta ao homem : Acreditar na utopia desvelada.

Eis o que falta ao homem : Tornar-se sócio na humanidade.


Vilemar F. Costa .'.

domingo, 16 de dezembro de 2007

A NUDEZ E O TER

Dizem os Antigos : Separado estarás de Deus quando estiveres vestido.

Despoja–te de toda roupa se quiseres a Ele unir – te.

De fato, o homem tem muitas peles a cobri – lo.

O homem tem muitas peles a cobrir – lhe as cavidades de seu coração.

Peles de boi ou de urso também lhe cobrem a alma.

E sempre, na medida de seus interesses particulares, suas necessidades individuais, suas conveniências próprias para satisfação de si mesmo, o homem sobrepõe outras tantas peles àquelas que já lhe revestem.

No inicio, o homem tinha abrigo de luz, da mais pura provinda do Altíssimo ...

Mas, depois da Queda, só dispõe de abrigos de peles; os do corpo, possam até ser necessários, os da alma, que possam prontamente ser removidos.

O homem que tem muitas peles não é liberto e não percebe sobre a Simplicidade de Deus.

Aquele está no processo de remoção das peles, adentra nos segredos da Sabedoria, alcança um alto grau de Conhecimento e obtem a Liberdade.

Dessa forma, objetiva utilizando-se da tríade Conhecimento – Liberdade – Sabedoria, conquistar o ser empunhando a espada da Justiça, e a lança da Verdade, guarnecendo o coração com o escudo do Amor contra os ferinos golpes do ter.

Ter paixões, ter méritos, ter coisas, ter o outro, ter peles.

O ter significa detenção, prisão, acumulação e impedimento, enquanto o ser ( a pobreza de espírito, a castidade, o desapego, o assumir da natureza original do homem como ser de luz, o espírito como centro) representa a redenção e a liberdade.

Ser tem como pré – condições a Justiça, a Equanimidade, a Tolerancia, a Solidariedade, a Alteridade e o Compartilhar, virtudes estas que uma vez conquistadas, iluminam o sujeito que as pratica, fluindo nele e para além dele até o outro, proporcionando que se chegue à meta final, que é o Acordo Original, a Conciliação, a Totalidade, a Aliança entre os homens e os homens e entre os homens e Deus, a mutação do orgulho isolador e solitário na conexão de tudo com todos, no renascer livre do trauma de nascer, no renascer do homem uno original, do homem nascido no Paraíso em sua totalidade e plenitude, na conquista da meta final primordial e fundamental que é a da união ao Deus do coração e compreensão de todos e de cada um.

Vilemar F. Costa

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

QUESTÃO DO BEM

Entre as questões que preocupam aos humanos existe uma para a qual muitos não conseguem encontrar uma resposta satisfatória : Porque é que o mal existe ?

Em primeiro lugar consideremos os seguintes pontos :

1- O mal é bastante forte mesmo sem a nossa ajuda e não devemos alimentá-lo;

2- Também não devemos tentar desembaraçar-nos dele, nunca o conseguiríamos; o que devemos fazer é descobrir que atitude proativa adotar em relação a ele.

Agora compreendamos o que é o bem : O bem é um princípio ativo criador; o bem é uma manifestação de Deus, uma manifestação harmoniosa em que entram a Verdade, o Amor, a Força, a Inteligência, a Sabedoria, o Conhecimento e a Beleza.

O bem ainda não é Deus; é uma manifestação de Deus. Deus está acima do bem e do mal.

E o que é o mal : o mal é um resíduo da manifestação do bem, o qual como tudo que se manifesta, cria resíduos, sobras. O mal é um resíduo do bem que sobra depois de se ter extraído a Quinta-essência do bem; é o que resta quando todo o bem foi “extraído”.

Daí o mal não poder existir por si próprio, não ter existência independente.

O mal nunca poderá ser comparado ao bem, não tem como ele, a eternidade, o poder e a riqueza.

Por isso, aqueles que pensam que o bem e o mal são duas entidades de igual potência em permanente combate, sem que uma possa vencer definitivamente a outra, enganam-se.

Enquanto os homens atribuirem ao mal uma existência própria, jamais conseguirão transformá-lo, e o mal continuará a afligi-los, porque são eles que, com a sua ignorância, lhe dão esse poder.

É certo que é mais fácil fazer o mal que o bem. Não porque o bem é fraco e o mal poderoso. Mas sim porque as condições que a humanidade criou na terra, pouco a pouco, são muito mais propícias e favoráveis ao mal.

Quereis fazer mal ? Todos estão de acordo em dar-vos uma ajuda, voluntária ou involutariamente.

Mas, se se tratar de fazer bem, é diferente, é como se o bem estivesse parado, anestesiado, impotente. E isso porque os homens vivem demasiado nas regiões inferiores dos sentidos e da matéria.

Compreendamos que, uma vez que o bem é uma manifestação de Deus, ao pensarmos no bem ligamo-nos ao Grande Arquiteto do Universo, ao Princípio Eterno, e a nossa consciência se desloca do sofrimento, da angústia, do nível denso dos impulsos e instintos, elevando-se ao nível da Graça, da Beleza e da Bem-Aventurança.

Por essa compreensão seremos capazes de acionar forças extraordinárias e teremos verdadeiras realizações.

Compreendamos que só com Sabedoria , Inteligência, Conhecimento, Amor e Beleza seremos capazes de utilizar o bem e, sobretudo, proceder de tal maneira que o bem não se transforme em mal.

Por essa compreensão as forças do bem limparão e organizarão tudo maravilhosamente, segundo as Leis da Verdade.

Vilemar F. Costa.’.