domingo, 16 de dezembro de 2007

A NUDEZ E O TER

Dizem os Antigos : Separado estarás de Deus quando estiveres vestido.

Despoja–te de toda roupa se quiseres a Ele unir – te.

De fato, o homem tem muitas peles a cobri – lo.

O homem tem muitas peles a cobrir – lhe as cavidades de seu coração.

Peles de boi ou de urso também lhe cobrem a alma.

E sempre, na medida de seus interesses particulares, suas necessidades individuais, suas conveniências próprias para satisfação de si mesmo, o homem sobrepõe outras tantas peles àquelas que já lhe revestem.

No inicio, o homem tinha abrigo de luz, da mais pura provinda do Altíssimo ...

Mas, depois da Queda, só dispõe de abrigos de peles; os do corpo, possam até ser necessários, os da alma, que possam prontamente ser removidos.

O homem que tem muitas peles não é liberto e não percebe sobre a Simplicidade de Deus.

Aquele está no processo de remoção das peles, adentra nos segredos da Sabedoria, alcança um alto grau de Conhecimento e obtem a Liberdade.

Dessa forma, objetiva utilizando-se da tríade Conhecimento – Liberdade – Sabedoria, conquistar o ser empunhando a espada da Justiça, e a lança da Verdade, guarnecendo o coração com o escudo do Amor contra os ferinos golpes do ter.

Ter paixões, ter méritos, ter coisas, ter o outro, ter peles.

O ter significa detenção, prisão, acumulação e impedimento, enquanto o ser ( a pobreza de espírito, a castidade, o desapego, o assumir da natureza original do homem como ser de luz, o espírito como centro) representa a redenção e a liberdade.

Ser tem como pré – condições a Justiça, a Equanimidade, a Tolerancia, a Solidariedade, a Alteridade e o Compartilhar, virtudes estas que uma vez conquistadas, iluminam o sujeito que as pratica, fluindo nele e para além dele até o outro, proporcionando que se chegue à meta final, que é o Acordo Original, a Conciliação, a Totalidade, a Aliança entre os homens e os homens e entre os homens e Deus, a mutação do orgulho isolador e solitário na conexão de tudo com todos, no renascer livre do trauma de nascer, no renascer do homem uno original, do homem nascido no Paraíso em sua totalidade e plenitude, na conquista da meta final primordial e fundamental que é a da união ao Deus do coração e compreensão de todos e de cada um.

Vilemar F. Costa

Um comentário:

Adriana Costa disse...

Caro, Vilemar,
Adorei o blog! E nem preciso dizer que adoro teus textos, né! Parabéns! Por causa de alguns problemas técnicos eu tirei meus blogs do ar, não sem pesar, claro, espero em breve poder voltar a postar. Minha sincera admiração por tuas letras.
Adriana Costa