sábado, 9 de maio de 2009

SOBRE COMUNIDADES

Os gregos usam a palavra KOINOS para significar comunidade, no sentido de que ela é uma característica de uma pólis, de uma sociedade de pessoas caracterizada por um SENSO de comunidade, e que também seja uma instituição acessível a qualquer pessoa, pertencente à todos e a todas as pessoas IGUALMENTE.
Interessante é que a mesma palavra KOINOS é também um adjetivo quando usada em relação à pessoas indicando alguém que é “imparcial, afável, acessível”, a qual, assume um outro significado, quando os gregos ajuntam o sufixo TAYS criando o substantivo KOINOTAYS que significa “companheirismo, compartilhamento”, “o que compartilha a qualidade comunitária com um grupo”.
Comunidade será então sujeito e objeto de uma qualidade existencial que envolva o homem como um todo a outros homens por inteiro (E mulheres, fique claro, a palavra homem é usada aqui no sentido do todo humano e da humanidade – ainda um velho ranço cultural machista ocidental-judaico-helenista usar a palavra homem para representar a totalidade humana...), será uma experiência de comunhão entre as pessoas que vivenciam essa experiência juntas e com um só objetivo, mas experiência e modos que contrastam com as outras relações sociais organizadas hierarquicamente, comunhão que tem uma estrutura de qualidade cognitiva, mas também um aspecto de potencialidade e um certo modo subjuntivo.
Martin Buber, filósofo judeu, poeta e considerado por alguns como profeta de nossos dias, define comunidade como : “ Comunidade é estar não mais lado a lado (e alguém pode acrescentar acima e abaixo) mas UM COM O OUTRO e com uma multidão de pessoas. E esta multidão se move em direção a um objetivo, experimentando em todos os pontos e lugares por que passa e perpassa, uma dinâmica de voltar-se uns para os outros, um fluxo do eu para o vós; As posições lado a lado, em cima e embaixo não existem, e, em vez disso, vemos um fluxo do eu para o vós, companheirismo, uma manifestação coletiva. ( EU e VÓS – (1970) – pag.127).
Certo é que há princípios materiais e há princípios espirituais a que devemos obediência para um bom agir com foco nos propósitos e que apontam para a compreensão de que nenhum sacrifício (sacro+oficio) de caráter pessoal é demasiado grande numa vida comunitária.
Assim, uma Comunidade como tal, deve caminhar para além de suas fronteiras, cuja meta é a união dos homens entre si, como irmãos ungidos, e a união da humanidade com Deus, até que se forme uma unidade, uma eklesia, uma só comunidade, uma só e comum unidade.
Em sendo assim, a Sabedoria habitará entre a humanidade, o Amor se fará presença entre todos, a Verdade residirá no coração de cada um de nós e o Espírito emanente do Amor, da Verdade e da Sabedoria reinará sobre nós.

Vilemar Costa

2 comentários:

Anônimo disse...

Ir:. Vilemar !

Parabéns pela qualidade das matérias do Blog.

Ir:. Bessa.

Anônimo disse...

Vilemar,

Escrevo-lhe no modo "anónimo" porque ainda não tenho conta Google. Mas meu nome é Joao Tavares e moro em S. Luís - MA.
Li em seu blog seu "artigo" sobre Comunidade e gostei.
Onde você aprendeu grego e Teologia?
Citar Martin Buber (agora já com nova edição da Centauro, com o título: Eu e Tu), também não é para qualquer um, pois trata-se de um livro de um teólogo e filósofo judeu alemão, de leitura e compreensão difícil.
Parabéns
De vez em quando leio suas inserções no e-grupo Brasil-Política,que leio para ter algumas informações, mas que tem muitas inserções cujo nível é fraco e mesmo deplorável. A linguagem, então, deixa muito a desejar.
João Tavares