domingo, 23 de agosto de 2009

Construir pontes é uma das saídas, ou entradas.
Elas que têm via dupla, ou de mão dupla.
Num dado momento, trafego intenso indo e vindo, amigos, amigas, grupos, parceiros, parceiras, trabalho, família, sopa de letrinhas, tudo direitinho e num dado momento aquele grito de espanto.
Nothing is real... E a família congestiona o fluido trafego, o trabalho traz sucesso, a sopinha de letras vira manjar gustativo, mas não palatável, porém irresistível...
A parceria é menor do que parecia... E a parceira é melhor que a amiga...
Inacreditável! Mas é. Quem diria né?
Artificial.
A luz ofusca por ser fria, reflexa e imagética...
Outro momento, e, súbito, tudo volta ao normal na mão dupla da via dupla...
E La nave va!
Matrix!
É assim que útil e benéfico não é construir pontes, mas abrir e estender estradas e nelas fazer caminhos...
Elas que têm margens...
Que são vivas.
E plantar árvores...
Cuidar das raízes...
Cuidar da relva, regar arbustos, colher flores e frutos ao longo dessa estrada...
E ancorar-se no coração quando caminhante ao sol...
E regar o sonho da alma durante o sono do repouso corporal...
Ao livre ar do ar-livre ... Laborar... Se... Laborare Orare!

sábado, 1 de agosto de 2009

DA EDUCAÇÃO DOS EDUCANDOS E DA ESCOLA

A escola é que sempre nos dirá o que somos e o que seremos.
Ela é o índice da formação dos povos; por ela se tem a medida das suas inquietudes, dos seus projetos, das suas conquistas e dos seus ideais.
Cecília Meireles na crônica “Nossas Escolas” publicada no Diário de Noticias em 16.11.1932


Considero que a educação não se prenda apenas aos valores “educacionais” - Escola, Professor, Ensino, Aluno - , mas que parte também holisticamente da família, do meio social, da religião, religiosidade e espiritualidade no meio circundante da criança e adolescente, da interação deles com os amigos do bairro, e ora, com a relação/acesso aos meios digitais, notadamente a Internet.

Considero ultrapassada e danosa a forma de ensino linear, focado em conteúdos específicos e exercícios repetitivos de memorização, apoiado em materiais escritos e didaticamente engessados a um modelo de crescente dificuldade aliado a um modelo de aprendizagem individual e individualista regido por punições e recompensas oriundos de um modelo que foi repetido milhares de vezes durante a formação dos próprios professores e que não mais se adequa ao estilo dessa nova geração de jovens pós revolução digital.

Aponto que há uma ditadura escolar, agravada nas horas pré e pós-aulas extras-muros e nos intervalos intra-muros dos colégios, pelos fiscais “policiais” que a pretexto de proteger e guardar os alunos, dentro e fora das escolas, fazem mesmo é o cerceamento de liberdade de jovens por natureza inquietos, quase que meio anárquicos.

Infelizmente a escola ainda tenta manter vivo aquele modelo antigo e capengante, alheia ao fato de que o mundo onde vivemos exige um novo formato de aprendizagem e, consequentemente, a capacidade de “aprender a aprender”.

Esses moldes elencados acima, têm uma relação quase nula com o modelo de aprendizagem ao qual nossos alunos e os jovens em geral estão a buscar e desejar.

Assim, aponto como sugestão de formato de ensino/aprendizagem contemporâneo, que :

1. não há linearidade estritamente necessária em uma sequência de aprendizagem; você pode chegar ao mesmo lugar partindo de diferentes pontos e traçando diferentes rumos, ainda que por alguns caminhos a jornada seja mais longa e pedregosa;
2. a aprendizagem é focada em objetivos imediatos e sucessivos e nem sempre o aprendiz tem algum objetivo longínquo em mente; os objetivos mudam com a própria dinâmica da aprendizagem;
3. não há mais a necessidade de um “professor transmissor de conteúdos”; quando muito se faz necessário um “orientador de rumos”; o papel do professor não é restrito, mas antes amplificado, cabendo a ele a difícil tarefa de ensinar o aluno a fazer boas escolhas ao invés de apenas fornecer as melhores respostas;
4. a aprendizagem quase sempre se dá pela interação com outros aprendizes e, preferencialmente, ocorre em grupos e não individualmente; o conhecimento é construído coletivamente e apropriado de forma individual;
5. o erro é um parâmetro de acerto de rumo, não é visto como uma punição ou um fracasso na aprendizagem; errar passa a ser parte do próprio processo de aprendizagem, passa a ser um “método”, dentre outros, de se chegar aos acertos.

A escola necessita aprender que não se pode ensinar a pensar de uma forma nova usando-se métodos e modelos antigos como base para essa aprendizagem.

Os educadores necessitam convencer a turma de que, estudar e aprender, é importante para a formação deles enquanto cidadãos, agentes e membros da sociedade; em segundo lugar, convencê-los a ir além do raciocínio lógico estimulado pelas ciências exatas; e concomitantemente devem orientar aos educandos que não basta apenas cumprir as exigências curriculares acadêmicas e passar de ano.
Dessa forma penso que devemos pontuar que a educação escolar não deva focar o Mercado, e/ou o mercado de trabalho e deverá sim proporcionar ao jovem uma maneira de enxergar um significado maior na vida.
Ou seja, a educação não deve dirigir-se apenas à escola, ao aluno, ao professor, porque ela atua sobre a família, a sociedade, o povo e se enquadra com os nobres desígnios da humanidade.
Por essa forma. creio que a escola deva formar criaturas capazes de vencer os obstáculos cotidianos da vida pelo poder de se transformarem e se adaptarem às exigências do ambiente e de se renovarem após cada experiência vivida para a aventura de uma experiência seguinte.
O que se deseja é uma escola que ofereça, no ambiente escolar, a cada um o máximo desenvolvimento das suas aptidões, para que os alunos se encontrem a si mesmos, e conquistem, na proporção de sua personalidade e capacidade, os elementos de que necessitem para a formação de suas vidas.
A escola deve ser isso mesmo UM AMBIENTE.

Avalio ainda que o professor precisa ficar livre das exigências burocráticas para cuidar melhor do aspecto pedagógico do ensino, que na realidade escolar o educador não se veja “pressionado” pelas exigências burocráticas e nem se sinta, em contrapartida da “pressão”, desamparado pelos órgãos do sistema no que tange à supervisão pedagógica, e que possa obter o tempo suficiente e necessário para as condições de poder cuidar dos assuntos que dizem respeito diretamente ao processo ensino-aprendizagem.

De forma prática e objetivamente, penso que às escolas restará:
1- realizar projetos de interesse social para apoiar a educação individual e a autoformação, assim como voltados para a educação formal em todos os níveis visando assegurar a cada pessoa os meios para evoluir de forma criativa;
2 - Objetivar meios de estimular a imaginação e criatividade das crianças e dos jovens;
3 - Promover o conhecimento sobre a herança cultural, o apreço pelas artes e pelas realizações e inovações cientificas.
4 - Possibilitar o acesso a todas as formas de expressão cultural das artes do espetáculo;
5 - Fomentar o dialogo intercultural e a diversidade cultural;
6 - Apoiar a tradicao oral;
7 - Assegurar o acesso dos alunos a todos os tipos de informação da comunidade local;
8 - Proporcionar informação adequada para associações de pais e de estudantes (grêmios);
9 - Facilitar o desenvolvimento da capacidade de utilizar a informação e a informática;
10 – Focar na formação de cidadãos conscientes e críticos, pessoas solidárias e comunitárias, colaboradores na formação da sociedade;

Considero também vital e urgente, enfrentar as dificuldades dos professores para despertarem o interesse dos alunos pela aula e pela sala de aula e também o abandono da trincheira, autoridade-subalterno, mestre-discípulo, sábio-aprendiz.

Uma outra questão é, nessa era digital, a árdua tarefa dos educadores em instilar nos alunos o gosto e a prática pela leitura, pois nesses tempos de Internet, os alunos lêem poucos livros, jornais ou revistas, apesar de escreverem bastante nos sites de relacionamentos, bate-papos e blogs.
Sabe-se que há vários agravantes que levam os alunos à não gostarem de ler como, por exemplo, a falta de incentivo na infância, apesar de também sabermos que essa falha familiar de incentivo e cultivo à leitura é algo complicado, pois muitos pais não possuem o hábito de ler e, na maioria das vezes, nem o sabem.

Sendo assim, resta a escola, que deverá criar metodologias para educar os alunos para a prática da leitura, através de leituras dramatizadas, áudio leituras, rodas de leituras, poemas musicados, rodas de declamações, criação de cordéis, conte um conto, etc.
Caberá ao professor promover essa reviravolta, essa revolução, suprindo a falha da família, dos pais, ao não incentivarem e criarem um hábito prazeroso da leitura na infância.

Mas como incentivar as novas gerações a amarem a leitura? Esse é o desafio a enfrentar, nos dias de hoje, quando a televisão, se constitui num instrumento de emburrecimento precoce de nossa infância, e adolescência, impondo sua programação inculta, estimulante do consumo ilimitado e perdulário, falaciosa e tendenciosa, supérflua, inócua e bizarra.

De antemão penso que inicialmente deverá se criar um projeto de leitura a partir dos professores, porque um professor não pode incentivar um aluno a ler se ele mesmo não o faz;
Em seguida este projeto deverá atingir as famílias para que elas orientem as crianças e incentivem-nas a gostar de ler desde bebe, ouvindo historias;
Por fim, esse projeto colocaria uma quota de livros obrigatória para as escolas, isto é, os alunos teriam que ler tantos livros por ano, ou por mês.

Outros pontos complementares as escolas deverão adotar, tais como: - Promoção de encontros das famílias dos alunos para atividades dentro das escolas;
- Produção, apresentação e divulgação de ações e produtos culturais
- Criação classes especiais de recuperação, para zerar o número de alunos com baixo rendimento escolar;
- Elaboração de materiais de orientação sócio-familiar, curricular e cultural para professores, pais e alunos;
- Convênios com instituições de ensino superior de todas as áreas visando um intercâmbio pedagógico e suporte de conhecimentos.

Além disso, o projeto deve alocar um auxiliar de ensino (estudante de Pedagogia ou Letras), para ajudar o professor em sala de aula.

Há um ponto que hoje, educadores e escola, pecam por excesso menos que por omissão: A disciplina.
Disciplina não quer dizer uma submissão passiva às coisas e fatos, uma subordinação à vontade alheia, ou à força de acontecimentos e regras.
Disciplina quer dizer uma colaboração consciente na harmonia coletiva, uma ordem ativa, uma compreensão dos assuntos, fatos e acontecimentos.
Disciplina que dizer um sentimento de responsabilidade compartilhada e a voluntária aceitação da tarefa de cumprir um bem estar comum, seguido de perto pelo bem estar individual, do cumprimento de preceitos coletivos com sacrifico (sagrado oficio) pessoal.


Por último, penso que deverá haver intercâmbios pedagógicos entre as escolas, um fluxo de mão dupla das experiências e conhecimentos das escolas e educadores.

Quanto ao fator família, ressalto aqui uma questão.

Na qualidade de pai-mãe, como abordar o problema de como ajudar o filho a compreender toda a natureza e toda a estrutura de seu espírito, de seus desejos, de seus medos, - todo o impulso da vida?
Na qualidade de pais, estamos prontos a formar uma nova geração de pessoas – pois é disso que se trata – totalmente diferente das precedentes, com espíritos e corações de todo diferentes?
Estamos prontos para o dialogo e em alguns pontos aprender com eles?
Se você é pai, renunciará, por amor ao seu filho, à bebida, ao fumo, à marijuana, à droga, à corrupção, à “lei de Gerson” (e outros erros e vícios) e se aplicará a fazer tanto de você quanto do seu filho bons seres humanos?
Como pais, desejamos realmente uma cultura diferente, um ser humano diferente, dotado de um espírito esclarecido?
Quanto aos jovens e crianças oriundos de famílias desequilibradas e desestruturadas, que nem sempre são pobres, creio que a escola poderá se prestar a mais esse papel aglutinador, através da ocupação escolar-educacional com atividades curriculares e não curriculares em tempo integral, o que possibilitará aos jovens uma saída temporária e desejável do ambiente desestruturado, e simultaneamente, oferecer ao jovem um aprendizado e uma base de apoio através de grupos de auto-ajuda, e de terapias comunitárias, somadas a orientações psicológicas e de assistência social para fortalecê-lo quando ele voltar ao lar no fim do dia.
Somado a esse esforço, poderá a escola buscar integrar o pai ou a mãe, ou ambos, das famílias abaladas, através das atividades conjuntas nos encontros das famílias dos alunos dentro das escolas e através dos materiais de orientação sócio-familiar e cultural, bem como poderá incluir a informação e formação dos pais/mães, valendo-se também da ajuda gratuita e voluntária de grupos de auto-ajuda existentes com variadas especificidades relacionados a drogas, neuroses, co-dependências e afins, aliadas com um apoio psico-social de seu quadro de profissionais.
Vilemar Costa
ANTES PENTECOSTE QUE A TORRE DE BABEL

Em busca de uma dialética e sempiterna (talvez a platônica, a do mundo das idéias) essência pancromática da verdade, por olhares plurais em sinfonia, descubro espaço em que teses anseiam por antíteses a moldar verdades provisórias de angulações esféricas.
A vida, a ciência clássica, a sabedoria popular, as tradições sapienciais ou não, e tudo o mais, têm demonstrado que as verdades nem sempre são verdadeiras.
Não podemos e nem devemos afirmar categoricamente nada sobre nada, a não ser que a única verdade verdadeira é a impermanência.
Muitos e muitos pilares "verdadeiros" já caíram por terra.
Cristo já nos comprovou a polissemia do “quid est veritas” com expressivo ... silêncio!
Então? Para que entrar em rota de colisão, só para afirmar, normoticamente, que a "minha verdade é mais verdadeira"?
Quem somos nós? O que sabemos? O que podemos afirmar categoricamente, como certo ou como errado?
Nada, nada mesmo. Nadica de nada.
Somos zero à esquerda, diante da infinitude e da complexidade da vida e do Universo.
Somos apenas grãos de poeira estelar, tão sem significado, que não vale a pena perder parceiros, amigos, companheiros, colegas ou outros grãozinhos de poeira estelar, nessa mísera, frágil e rápida trajetória.
As guerras, a falta de paz, os conflitos, as desarmonias só existem porque estamos viciados na fragmentação, na fantasia da separatividade.
Eu aqui, o outro lá, eu cá e o objeto alhures, eu e a natureza lá fora, com os quais, supostamente, não temos nada a ver.
Não é bem assim.
A fantasia da separatividade, nos leva exatamente a uma situação de realimentação de um processo de desgaste mental, emocional e físico, nessa sequência.
A idéia da "minha verdade", do "meu objeto", da "minha companheira", do meu "saber" etc. surge na mente e isso desencadeia uma das três reações: apego (nos apegamos a objetos, pessoas ou mesmo idéias, que nos dão prazer), rejeição (a pessoas, objetos ou idéias que nos ameaçam e nos causam desprazer) e indiferença (a objetos, pessoas ou idéias que não nos causam nem prazer, nem dor, e que não representam nada para nós).
Essas reações, desencadeadas pela fantasia da separatividade, propiciam o aparecimento das emoções destrutivas (plano emocional), como possessividade, egoísmo, inveja, ódio, raiva, vaidade, agressividade, desconfiança, orgulho ferido, depressão, entre tantas outras, que vão desembocar no estresse, nas suas mais variadas gamas, consequências e sequelas.
Estas duas ultimas são representadas pelas doenças do corpo físico.
Portanto, melhor cenário é o pentecostal, onde várias línguas terminam por se entender, uns a entender os outros. Melhor cenário, este, que a da torre de Babel, a fria engenharia com a pretensão de chegar aos céus... Não acham?