sábado, 1 de agosto de 2009

ANTES PENTECOSTE QUE A TORRE DE BABEL

Em busca de uma dialética e sempiterna (talvez a platônica, a do mundo das idéias) essência pancromática da verdade, por olhares plurais em sinfonia, descubro espaço em que teses anseiam por antíteses a moldar verdades provisórias de angulações esféricas.
A vida, a ciência clássica, a sabedoria popular, as tradições sapienciais ou não, e tudo o mais, têm demonstrado que as verdades nem sempre são verdadeiras.
Não podemos e nem devemos afirmar categoricamente nada sobre nada, a não ser que a única verdade verdadeira é a impermanência.
Muitos e muitos pilares "verdadeiros" já caíram por terra.
Cristo já nos comprovou a polissemia do “quid est veritas” com expressivo ... silêncio!
Então? Para que entrar em rota de colisão, só para afirmar, normoticamente, que a "minha verdade é mais verdadeira"?
Quem somos nós? O que sabemos? O que podemos afirmar categoricamente, como certo ou como errado?
Nada, nada mesmo. Nadica de nada.
Somos zero à esquerda, diante da infinitude e da complexidade da vida e do Universo.
Somos apenas grãos de poeira estelar, tão sem significado, que não vale a pena perder parceiros, amigos, companheiros, colegas ou outros grãozinhos de poeira estelar, nessa mísera, frágil e rápida trajetória.
As guerras, a falta de paz, os conflitos, as desarmonias só existem porque estamos viciados na fragmentação, na fantasia da separatividade.
Eu aqui, o outro lá, eu cá e o objeto alhures, eu e a natureza lá fora, com os quais, supostamente, não temos nada a ver.
Não é bem assim.
A fantasia da separatividade, nos leva exatamente a uma situação de realimentação de um processo de desgaste mental, emocional e físico, nessa sequência.
A idéia da "minha verdade", do "meu objeto", da "minha companheira", do meu "saber" etc. surge na mente e isso desencadeia uma das três reações: apego (nos apegamos a objetos, pessoas ou mesmo idéias, que nos dão prazer), rejeição (a pessoas, objetos ou idéias que nos ameaçam e nos causam desprazer) e indiferença (a objetos, pessoas ou idéias que não nos causam nem prazer, nem dor, e que não representam nada para nós).
Essas reações, desencadeadas pela fantasia da separatividade, propiciam o aparecimento das emoções destrutivas (plano emocional), como possessividade, egoísmo, inveja, ódio, raiva, vaidade, agressividade, desconfiança, orgulho ferido, depressão, entre tantas outras, que vão desembocar no estresse, nas suas mais variadas gamas, consequências e sequelas.
Estas duas ultimas são representadas pelas doenças do corpo físico.
Portanto, melhor cenário é o pentecostal, onde várias línguas terminam por se entender, uns a entender os outros. Melhor cenário, este, que a da torre de Babel, a fria engenharia com a pretensão de chegar aos céus... Não acham?

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