domingo, 22 de novembro de 2009

O nosso caminho
Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.

Proverbios y Cantares XXIX, in Campos de Castilla, 1912


Escreveu um dia o grande Antonio Machado que o caminho se faz a caminhar, reafirmando assim a antiquíssima tradição ibérica de um fazer humano, concreto, mensurável, prático: o rasgo no solo, o trilho, o arado que prepara a terra.

Mas não há caminho só na terra.

Apesar do que poderão alguns dizer que não há caminho no ar, e esquecerão a força que as asas dos pássaros, das borboletas, dos anjos e dos poetas fazem contra a ventania, e como é preciso coração e poesia para que os olhos possam enfrentar o vazio por baixo, sem ceder ao chamamento da queda, e esquecerão como a alma é devassada pelos quatro ventos.

Quiçá, possamos erguermo-nos, por sobre as casas, torres e edificios, de dia olharmos o Sol e de noite olharmos os astros, essa seria a nossa recompensa, e a nossa glória será esse pó de luz final.
Nada mais ir-se-á querer, nada mais será preciso: do vento, do ar sem fim, do longe e da luz irradiante será alimentada a nossa inquebrantável determinação em nosso anelo de verdade.

Vilemar F. Costa