quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

"O anjo, porém, lhes disse: Não temais, porquanto vos trago
novas de grande alegria que o será para todo o povo: É que
vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é
Cristo, o Senhor" (Lucas 2:10, 11).

O QUE QUER DIZER O NATAL?

A data de 25 de dezembro é tida como data de nascimento de Jesus por conta da impossibilidade de eliminar esta festividade no calendário romano. Mesmo com a oficialização da fé cristã em Roma, Constantino, adorador do deus romano Mitra, não tinha alternativa, senão mantê-la no calendário e adotar o 25 de dezembro – DEUS SOL INVICTUS – um culto ao deus invicto sol, um culto pagão, como uma data marcada também para lembrança no novo culto da nova religião adotada pelo Estado Romano.
Constantino manteve sua fé mitraica com as auréolas nas imagens dos Santos e do próprio Cristo.
Assim é que a Jesus, o Cristo, o personagem histórico, mítico e místico, tomado como o Deus Sol Invictus, devemos a data de Natal, uma data na qual os sentimentos de caridade, fraternidade e solidariedade transbordam os limites de nossas emoções, mas que forçamos para levá-los ao segundo plano.
Pomos em segundo plano porque no mundo do espetáculo globalizado de hoje estamos embevecidos pelo ego, pelo individualismo, pela disputa e pelo apego, os quais são o alimento do conflito, que é o alimento do desamor, que é o alimento da guerra, que é o alimento da destruição.
Dessa forma, nos dias atuais, mesmo nos países cristãos, o Natal parece uma festa apenas de muitos presentes. As casas estão enfeitadas de bolas coloridas, as mesas estão repletas de pratos saborosos, por toda parte são encontradas garrafas de bebidas, todos se abraçam, cantam e dançam, tudo é alegria fugaz.
Resta ao Jesus Cristo, de quem rememoramos o nascimento, ficar relegado à manjedoura de Belém, longe de nossos olhos, de nossa casa, de nossas vidas.
Ele que deve ser a única coisa importante do Natal, e o seu nascimento o motivo real de nossa alegria e júbilo, estão em segundo plano.
O Natal já foi festa, já foi um profundo gesto de amor. Hoje, o Natal é um orçamento constatou décadas atrás o escritor Nelson Rodrigues.
Entrementes ainda brilha uma réstia de luz da estrela da Esperança, a mesma que outrora guiou os três reis magos, a nos dar a possibilidade de crer que, esse marcante momento de lembranças espirituais nomeado como Natal, venha a ser comemorado com Jesus na manjedoura de nossos corações, nas cores de nossa felicidade, na fartura de nossa adoração e na obediência aos ensinamentos do Cristo.
O meu desejo, a todos é que no dia 25 de dezembro e em todos os outros dias do novo ano (todo dia é Natal), possamos olhar para nossas vidas e para as nossas casas e comprovar o brilho real, verdadeiro e o colorido de um "Feliz Natal" com Paz sobre a terra e a Boa Vontade no coração dos homens, e que por toda a humanidade reine o Amor, a Solidariedade, a Justiça, a Fraternidade e a Prosperidade !

Que doravante possamos, eliminando os excessos que afrontam, os extremos que humilham, os desperdícios que insultam, as carências que desgraçam, as fomes que matam, os luxos que enlouquecem, as misérias que revoltam, construir um mundo possível, em que o homem não seja definido por "HOMO HOMINI LUPUS = HOMEM LOBO DO HOMEM".

Proponho então - para este NATAL e para os natais vindouros - a
g l o b a l i z a ç ã o da riqueza, a internacionalização dos produtos da natureza, o respeito à natureza, o consumir menos e o preservar mais, valendo-se dos conceitos de reduzir, reciclar e reutilizar, a generalização dos procedimentos de saúde, a universalização do combate à fome, a escolarização de todas as crianças do mundo, a proteção e tratamento adequado de todos os idosos, o acarinhamento da maternidade, o combate sem tréguas ao tráfico, uso e abuso de drogas ilícitas, e lícitas como cigarro e alcool, aliando a prevenção de uso e a redução de danos ao tratamento dos viciados.
Que se globalize o bem estar, que se estabeleça um trabalho honesto e digno para todos, que se universalize a saúde, que se concedam terras e condições de subsistência para aqueles que delas necessitam para viver, que se generalize o conforto da moradia decente, que se estenda a educação a todas as famílias, que se implante a justiça social em toda a superfície da terra.


Feliz Natal para todos!
Próspero, fecundo e abençoado 2010.

Vilemar F. Costa - 24.12.2009