domingo, 25 de julho de 2010


Para viver

A respeito do viver, lembro os versos de Walter Franco na canção Serra do Luar: "Viver é afinar o instrumento/ De dentro pra fora/ De fora pra dentro/ A toda hora, todo momento/ De dentro pra fora/ De fora pra dentro".
Como o poeta, também creio que viver é buscar uma vida afiada e afinada dentro e fora com uma forma simples e comprometida com o que realmente importa.
Pois eis aí o grande desafio, saber o que realmente importa, o que a gente quer e o que nos torna mais inteiros, mais í­ntegros.
Desafio que principia em buscar  viver sem se preocupar em comprar ou comparar, de não dar ouvidos aos apelos para ter mais e mais, de viver com o que se tem, vencendo as tentações da sociedade de consumo.
Desafio que se impõe no tentar crescer para dentro de nós mesmos e que se propõe no ter sonhos sem ter pressa de viver, pautando a vida com menos apreensões  e despindo-a  dos ruí­dos da pressa.
Desafio em que se ouse repensar  o  modo de viver,  desplugando - se  da velocidade da máquina sistêmica e afinando  a escuta de si mesmo, buscando a máxima convergência com o ritmo biológico, já tão deteriorado e deturpado pelo caos da vida dita moderna.
Desafio revestido com olhar mais poético para cada fresta de beleza que o cotidiano nos abre através da natureza vegetal e animal em nossa volta.
Desafio em que corajosamente reconheçamos as nossas  próprias limitações  e a partir daí pugnemos defender valores imutáveis como: famí­lia, ética, solidariedade, respeito as diferenças, aceitação aos diferentes.
Desafio em construir uma sociedade menos competitiva e mais humana, com esperança no porvir de um novo homem e na criação de  um novo mundo paulatinamente  a cada dia.
Desafio em que o temor do novo seja superado pela firmeza  de pesquisar, duvidar e estudar e a coragem de agir vingue consoante fundamentos obtidos na progressão e  evolução  de idéias e  princí­pios fundados nos valores da liberdade, igualdade e solidariedade universais.
Desafio em que a compreensão de nossa impermanência  e fugaz  passagem  pelo planeta contribua para distinguirmos  a real dimensão das coisas e então possamos intuir  que precisamos de muito, muito pouco para sermos realmente felizes.
Enfim, é preciso estar atento e forte em nada temendo a morte,  buscando ao longo do percurso grandes valores, sem estar em busca de um valor grande.
É preciso navegar  permanecendo com o coração tranqüilo, preservando  a mente repousada da informação,  quieta no conhecimento  e  alimentada pelo entendimento de que a vida será simples e bela quando couber numa mochila que se possa pendurar  na asa do  anjo.
Então a Sabedoria nos possibilitará  viver o caminho na perspectiva de que a Liberdade, a Igualdade  e  a Solidariedade são a vestimenta mais bela da vida em qualquer situação.

Vilemar F. Costa – 07/2010

2 comentários:

Eu e Alque disse...

Olá Vilemar, parabéns por tão belo texto com tão profundas e verdadeiras palavras. Peço-lhe autorização para utilizá-lo na sala de aula "Leitura Reflexiva".

Abraços, Cris!

Vilemar F. Costa disse...

Olá Cris e Alque,
Estejam à vontade para usaer esse meu pequeno rabisco sobre o viver e para mim é privilégio sabê-lo utilizado como leituira reflexiva.
Muito obrigado,
Abraços