sexta-feira, 27 de abril de 2012

I'M ALIVE DO CATETER


I’M ALIVE, VIVO MUITO VIVO, como disse o Cae...
Retornei  agorinha de um cateterismo cardíaco  e  ‘tô desentupido...
Vocês ainda vão ter de agüentar e aturar mais um bom pedaço da metamorfose ambulante...
Flanar  entre incertezas  e  curtir a viva,  a vida por demais  breve,   que atento mais ainda  vivê-la, desfrutá-la com liberdade,  justiça, equidade e solidariedade desinteressada,  e trabalhá-la na busca de um bem comum a todos com a visão na alteridade...
Asserto  que da vida  e na vida,  pesquisar é fundamental, duvidar mais ainda, pensar muito mais, emancipar-se  quae  sera  tamen...
A morte ou o pós mortem... AH! isso é uma assunto p'ra vida do dia a dia,  a cada passo e a cada respirar  senão nem morte haverá...         A  busca externa e interna constante é que nos faz a morte...   Espero ter isso claro... Ou escuro.
Lembro agora  a cantata que abre as primeiras cenas de um maravilhoso  filme de Felinni :
“Amigos vamos zarpar/ Paz ou alegria/ Um eco divino nos protegerá/ Amigos, vamos zarpar/ Desafiando o destino/ Memória e prodígio nos acompanharão// Sigamos sobre as vagas da alegria e do pesar/ A rota mais romântica/ Do navio que vai/ O navio que vai/ Vamos partir, partir/ O navio que vai.
O filme dá asas a um  dilema : Algo  de vital nos escapa sempre. Podemos rir de nossas misérias. Sabemos, porém ser o riso uma arma para eludir a nossa impotência em controlar o destino, as forças que nós mesmos desencadeamos. Participamos do navio que vai, mas o nosso destino é escamoteado, apesar da direção clara e precisamente estabelecida.
Ou como disse a respeito do devir humano, o historiador Fernando Braudel:  
... apesar do voluntarismo, apesar de nossos esforços, apesar do desejo de agir bem, apesar das idéias de reformas, apesar da mística de mudanças, apesar das explosões revolucionárias, é como uma jangada levada pela corrente de um rio. O rio não se desloca depressa. Se ele se deslocasse depressa, há muito tempo teríamos observado a realidade de uma história subjacente. Não a notamos porque o deslocamento é quase imperceptível.
Enfim, nos diz  o poeta Sebastian Brant :
... nossas viagens não tem fim,
que ninguém sabe onde abordar...
E  LA  NAVE  VA  !
I’M ALIVE, vivo muito vivo, e vocês vão ter de agüentar...Não desisto fácil, mas sou fácil de ser convencido...Tentem outra vez!
Vilemar F. Costa, Francisco
26.04.2012   –   18:30 H