sábado, 9 de junho de 2012


Praticar política não é a mesma coisa que refletir sobre política.
E refletir como fazer política é  aprender que política não se limita  a problemas econômicos, mas compreender que, sobretudo, a política deve estar atenta  às tendências da sociedade.
Sabe-se que o mundo econômico é o mundo do dinheiro.  Vê-se nas ultimas décadas que o mundo  político só busca vitória nas urnas e  se resume,  em se eleger através da politicagem,  ao mundo do dinheiro, do poder e da autoridade, com o que acomoda  a política num ambiente mal controlado onde se faz uso  de estratégia mais dura que no mundo dos negócios. É notório que o mundo político foi invadido pelos interesses econômicos.
Então cabe aos sonhadores, aos utópicos e aos realistas, o dever de descobrir uma outra política,  possível e atenta ao social, à sociedade civil e seus problemas morais, urbanos, ambientais, de direitos das minorias, dos  direitos sociais,  da justiça urbana  e da justiça social.
Desta outra política brota a pratica relevante do dialogo constante no qual se fale a respeito da sociedade e não de empreendimentos comerciais ou  econômico-financeiros, quer  sejam públicos ou privados, e em que se possa  libertar o social – e sua diversidade – das garras unificadoras dos governos.
O social e a sociedade não devem estar submetidos ao político. Não creio que o Estado – o governo, as Igrejas, as elites dirigentes – possa e deva, de cima, transformar a sociedade.
É preciso, na perseguição pelos interesses democráticos, participativos e representativos,  que a prioridade  seja dada às grandes escolhas sócio-culturais e educacionais, que a prioridade seja dada aos problemas mais próximos das pessoas e da sociedade civil e  que não se priorizem as escolhas da política econômica, ora internacionalizada e globalizada.
Está clarificado que os partidos estão hoje demasiadamente afastados das exigências sociais e culturais. Os partidos, com raríssimas exceções internas, preocupam-se mais com a defesa do poder e do direito parlamentar adquirido, ou a adquirir.
Assim, as raras exceções internas nos partidos, unidas aos atores sociais mobilizados, necessitam  movimentar-se, no sentido de que o partido perceba  que deve  se  emancipar do Estado e do governo,  a fim de se capacitar  a exercer uma política para a sociedade e não uma política para o Estado e para os governantes. E para isso deve ocorrer uma mudança radical em que haja marcante preocupação com a justiça social, com os direitos sociais, com os direitos do homem, com os  direitos e deveres democráticos, com os direitos culturais, com o meio ambiente,  e um grau mais elevado de preocupação visando pensar uma real práxis na qual  a  educação se coloque como único, eficaz e efetivo  meio do povo se libertar de seus fetiches, de suas alienações, de suas ilusões de consumo,  de seus colonizadores, assim como de seus  particularismos, de suas paixões, de seu irracionalismo e de sua ignorância.
Que no surgir da outra política, se ressaltem e se respeitem as diferenças, e que nesse reconhecimento na categoria política, indo mais além dos sujeitos e dos indivíduos,  as políticas de direita sejam assumidas pelas pessoas de direita como tal, e as políticas de esquerda por pessoas de esquerda e não esse mascaramento ideológico por onde se camufla as intenções de um e de outro lado, enganando o povo com lobos travestidos de cordeiros.
Seja então, através dessa outra política nascente, que a  esquerda possa manter, pela observação da vida atual, o interesse em evocar a importância fundamental do tema das mulheres, dos negros, dos homossexuais, dos índios, dos sem teto, dos sem terra, da pobreza e dos famintos, do marginalizado e do drogadicto, com o que ocasionará uma injeção de sangue novo e de idéias vigorosas na veia crítica da esquerda.
É necessário que se restabeleça o contato entre as demandas sociais, as novas reivindicações ou protestos sociais e a esquerda crítica. Mesmo que se façam coisas novas com palavras antigas, ainda assim, é melhor do que fazer o contrário.
Nesse renascer e  recriação, é preciso que se reconheça que a bipolarização – homens/mulheres, trabalhadores/patrão, eleitor/eleito, etc.  – repousa num principio geral de superioridade e inferioridade e que por aí imputam que as categorias consideradas inferiores  encontram-se dominadas pela paixão e emoção cega; a irresponsabilidade caracteriza as crianças e as mulheres  são impuras e incompetentes. Quanto aos homens sua superioridade é proveniente da razão, que indica o papel de um principio religioso, transcendente. Nesse raciocínio, se os homens são irracionais, como reza o modelo, é porque as mulheres são irracionais e puramente emoção e sentimentos, se os colonizadores são racionais e desenvolvimentistas é porque os colonizados são irracionais e representam as forças do atraso.
É fácil constatar que, mesmo com todos os avanços sociais,  o mundo político  se apresenta para a sociedade como mundo superior e de seres superiores e que as pessoas  inferiores os elegem porque ocupam o outro lado, o lado do mundo não-politico.
É comum o discurso de que  a democracia deve ser representativa, e em assim sendo os atores sociais são reconhecidos como orientadores dos agentes políticos, contudo,  contraditoriamente,  o que se observa é que os agentes  políticos não representam  as demandas sociais, implicando portanto que  a democracia está em crise.  
Que democracia participativa / representativa vemos hoje, que espécie de  agentes políticos atuam, e que atores sociais ativos cobram efetivamente...!
Companheiros e companheiras, camaradas, não é impossível mudar, sejamos realistas e façamos o impossível;  posto que  juntos somos mais fortes e invencíveis, unamo-nos enquanto cidadãos, atores sociais e sociedade civil partícipe do processo democrático criativo; mesmo com todas as cores, partidarismos, etiquetas e categorizações marchemos em comum mesmo que separados em idéias e modos de pensar a emancipação humana;  ousemos romper com o sistema  capitalista fomentador de ilusões, de falsos confortos, das delusões do bem estar e do desenvolvimento alienante, rumo à sociedade do bem viver. Rompamos com a servidão voluntária humana e com o mal estar civilizatório, através da busca participativa comum por uma saída do capitalismo. Ousemos criar novos rumos e refazê-los a cada caminhada.
Não há saídas messiânicas, nem redentoras promessas, muito menos há salvadores, nem há receitas, a única certeza é a de que em uma outra política o poder será compartilhado, estará circular e na horizontal.
Uma  outra política será uma outra forma de fazer política, longe da forma atual e do modo de pensar e fazer dos nossos últimos governos, de suas políticas de remoções separatistas cruéis que mais parecem uma limpeza étnica e/ou social  camuflando objetivos de especulação  e exploração imobiliária das  áreas  das remoções e desapropriações, uma outra política longe dos projetos de obras megalomaníacas  não acordadas com a sociedade, seus eleitores, e não consultadas  junto da população,  como o  aCidquário,  ou as usinas termoelétricas, ou as siderúrgicas poluentes e poluidoras, megalomanias desnecessárias e secundárias, ante tantas prioridades porque clamam a educação, a saúde, a mobilidade urbana, a moradia digna e  o bem viver coletivo. Vivemos de novo a triste e plúmbea era delfiniana nos tempos da ditadura em que o mote era “fazer o bolo crescer para poder dividi-lo”? Ou vivemos uma nova ditadura camuflada?
Que a outra política traga a visão da sustentabilidade, da permacultura, da economia solidária compartilhada, da prática dos 3 R’s : Reduzir, Reciclar, Reutilizar.
A outra política terá como foco o homem e não as máquinas, e que o mesmo estímulo dado para a aquisição de carros, esse objeto de consumo para o qual sempre há estímulos facilitadores,  seja dado para as políticas de transporte urbano público de boa qualidade, mobilidade e acessibilidade; será uma política do novo olhar para o pedestre, para o deslocamento do homem andante, que estimule o caminhar ao trabalho, às compras, às universidades, ou um simples  flanar, outro olhar que equacionará  a melhoria das calçadas, das praças, das ruas e avenidas na perspectiva do pedestre.
Que se faça a outra política com poesia, alteridade, amor e dança, pois a bailar certamente os sonhos e as utopias vingarão e as realidades de um outro ser, de um outro mundo, de um novo olhar brotarão.
Vamos, adiante, com civismo, cidadania, participação, compartilhamento, rumo a outra política fundada na ética, rumo ao  socialismo e a liberdade.
Vilemar F. Costa .’.

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