quinta-feira, 3 de outubro de 2013


[...]” fala-se em crise quando deixam de funcionar os mecanismos que produziam a crença reprodutiva do sistema; ou, o que vem a ser o mesmo, quando os interesses dos agentes de quem depende o funcionamento do sistema já não estão salvaguardados - portanto, reproduzidos - pelo funcionamento do sistema.”... – Pierre Bordieu.

[...] “ você só tende a perceber as coisas e colocá-las no foco do seu olhar perscrutador e de sua contemplação quando elas se desvanecem, fracassam, começam a se comportar estranhamente ou o decepcionam de alguma forma”. – Zigmunt Baumann

[...]”Em tempos de crise, o Estado não tem muito a oferecer aos cidadãos  além de “proteção” e portanto tem todo o interesse em perpetuar a insegurança que cria a demanda por proteção.  Quando houver carência de médicos, enfermeiros ou professores nos serviço público haverá cada vez mais a presença de policiais  e mais repressão para salvaguardar a “ordem”. -  Anselm Jappe.

“Nosso verdadeiro estudo é o da condição humana” J.J.Rousseau

Interessa ao sistema, a classe dominante  e aos seus áulicos,  a cultura e midiatização do apavoramento e a disseminação do medo... Torna o povo mais automatizado e fetichizado sob controle nada remoto de pilotos automáticos... Violência, pavor medo, e a midiatização destes, urdida com as  apelativas campanhas e movimentos organizados e promovidos pela classe proprietária do poder político-econômico, pelos donos  do controle remoto automático,  importam aos seus interesses classistas, fortalecem as divisões socioeconômicas, a criação dos pogroms, justificam as exclusões,  os campos de isolamento, a violência do Estado repressor,  a higienização de seus locais de trabalho, passeio e turismo, e também rendem dinheiro, "economia", multiplicam verbas, geram “investimentos” privados...

O sistema do poder dominante  traz a intenção implícita de reforçar sutilmente a ligação direta ao fundamentalismo patrimonialista conservador e ao etnocentrismo através de um exemplar  reforço da luta travada do “bem contra o mal” numa percepção forjada e falaciosa  de ameaças a sua privacidade e de seus interesses pessoais que imaginam a “democracia torta” que visam impor,  lhes oferecer.

Na sociedade capitalista a finalidade principal do Estado é assegurar as condições de reprodução do sistema econômico, nele o Estado interfere como sendo o sujeito mobilizador de recursos de poder para efetivar a coação necessária na presença de “falhas”  e “desregulação” dos interesses e condições precisas para a reprodução da ordem econômica dominante, e ao ter que garantir e formalizar as relações de dominação, as condições gerais de reprodução do sistema e,  simultaneamente,  o “consenso”,  o Estado se desnuda e mostra sua face cruel e real de defensor dos interesses de acumulação capitalista do setor privado e do sujeito econômico capitalista.

Não há qualquer interesse real e objetivo do Estado, hoje um instrumento a serviço da dominação e controle, e nem há  nenhum  “duelo”  sócio-político que busque  esclarecer,  ou delimitar, lógica e fundadamente, as responsabilidades ou ainda antecedentes culturais ou antropológicos para a onda de violência, ilegalidades, crimes e nem mesmo que tudo justifique  através de um “mal”,  cuja sombra ameaça e está se espalhando.

Nem mesmo atos e falas de conotações religiosas, estratagemas místicos obscuros, discursos de retórica moralista inflada, buscam desvelar a origem e as causas reais das violências – civis e institucionais.

Como agravante, os interesses econômicos sobrepondo-se a realidade e a racionalidade, propositalmente, não reconhecem que todos os esforços para atenuar ou neutralizar os efeitos causantes do traumatismo das violências na sociedade, - negar, reprimir, superar, culpabilizar  o “populacho” e ao uso de agentes químicos ou psíquicos por parte destes -  não passam de tentativas desesperadas “maniqueístas”  auto imunitárias que só resultam em produzir mais violência, inventar novas modalidades de crimes e alimentar a própria onda de violência e criminalidades que alegam superar.

Soma-se a isso que a repressão, tanto no seu sentido psicanalítico quanto político – seja através da polícia, dos militares ou da economia – acaba produzindo, reproduzindo e regenerando justamente a coisa que pretendem desarmar.

Combater  a violência com violência vai resultar em segurança? Tratar a questão da violência meramente com patrulhamento e inibição policial vai pacificar a comunidade? A macroestrutura injusta e produtora da violência vai ser transformada simplesmente pela segurança pública?

Prevenção e repressão pelos órgãos de segurança pública são falácias enganadoras posto que são a mesma face da única moeda, e resultam em mascarar a solução deturpada  e “fácil” com quase nenhum resultado prático objetivo duradouro. A repressão incide sobre os indivíduos, a prevenção sobre as multidões, e essa dupla apenas contem, sufoca  e controla um dos lados da margem, forçando os indivíduos a se voltarem para o outro lado, onde flui o a frustação, o ódio, a raiva, a conflitualidade, e as lógicas destrutivas, pela absoluta falta de outros ares e outras opções que contemplem a formação profissional, a reeducação, a integração social, moradia e trabalho dignos, lazer, etc

Continuaremos  apáticos diante de tanta violência, indireta e indiferentemente operada pelo Estado e os seus organismos classistas, arquitetada na gula  da esfera mandatária dominante a serviço de interesses corporativos específicos, ou pelas vantagens perseguidas pelos  lobbies político-econômicos que defendem a lógica do mercado e daqueles que os financiam?  Continuaremos  a esperar pelo Estado teleguiado pelos lobbies econômicos-financeiros que o dominam e pagando o pior preço possívelao cidadão, ao homem à humanidade: a falta de paz, a insegurança, o assassínio de pessoas inocentes, a perda de gerações inteiras, a falta de liberdade e de desfrute social, a desconfiança ao semelhante , a fragilidade das famílias e a exclusão de muitos para a manutenção de alguns ?

Necessário se faz o entendimento de que a violência e a maximização de crimes, em todos os aspectos e planos – civil e institucional/estatal – não será  reconhecida, contemplada e solucionada se não formos capaz de identificar e situar, racional e honestamente, a origem e a raiz real do “inimigo” contra o qual  possamos identificar o remédio e a “solução final” holística do “terror”, remédio e solução que se situem longe da tentativa de homogeneizar diferenças, higienizar territórios geográficos, ou da  mera e evasiva criminalização de classes, de cor, de gênero, de sexo, de raça.

A propósito de território e geografias, teorias e práticas existem que entendem que  a determinação territorial, a divisão setorial do terreno ou região é insuficiente e inapropriada para localizar a sede dos “problemas”, e dar solução aos conflitos e comprovam  que tais ações geram tão somente exclusões, discriminações, desterritorializações, marginalidades, preconceitos e mais violência. Apesar disto, muitos teimam em ignorar que hoje a relação entre território, geografia, locus, criminalidade e violência mudou.

Outro ponto a observar é que não se deve fiar na linguagem literalmente corrente, em todos os sentidos da palavra corrente, que permanece subserviente à retórica da elite dominante, sob o domínio dos donos do poder,  que controlam as mídias, e dos poderes políticos servos da economia, do capital financeiro, do consumo,  da alienação fetichista e espetacularização.

Uma quase totalidade das mídias  busca hoje transmitir mensagens carregadas da ideologia do sistema que procuram beneficiar determinado conjunto social e a definir todo o “resto” como perigoso.

Através da linguagem e da mídia o poder dominante das elites e dos gerentes do capital financeiro -economico, diametralmente oposto ao capital social e humano,  conseguem até impor uma “legitimação, legalidade e normalidade” dos crimes e da violência,  como sendo coisa corriqueira, normal, própria de uma sociedade competitiva de classes e passam um discurso de que a violência, a marginalidade e a criminalidade é coisa comum  onde exista desfavorecidos, precariados, desnivelados e mal-educados e pelo que não lhes cabe nenhuma culpa, remorso ou pecado.

Mas afinal, o que é a violência?

O que distingue o medo da violência,  do temor, ansiedade, pânico, pavor e terror cotidiano de cada subalterno dominado, pelo desconhecimento que lhe cobre, a invisibilidade, desprezo, a ausência de oportunidades, o tratamento desigual aos desiguais,  e do desfavor na oferta de opções de vida no dia de amanhã?

Será que o traumatismo da escolha forçada dessas opções que a sociedade lhe oferece, impõe sobre o consciente e o inconsciente desses  indiferentes invisíveis, o despertar dos medos instintivos primários atávicos de feras acuadas,  a ansiedade pelo futuro nebuloso, o pânico do presente destinado aos filhos,  e esses complexos e sintomas provocados e instrumentalizados  por acaso diferem daquele medo e pavor que uma tradição inteira, de Hobbes a Schmidt, e até a Benjamim, considera a condição mesma autocrática da lei e do exercício soberano do poder, a condição mesma da autoridade da lei, da politica e do Estado representante do poder e da elite dominante?

Alguém sabe explicar por que uma pessoa que segue todos os dias de madrugada, marmita na mão, na certeza de que irá tomar um ônibus lotado e desconfortável quilômetros a frente, em pé, até seu trabalho e cruza há mais de vinte anos com o fausto de um edifício envidraçado onde reluzem carros importados entre jardins floridos e assoalhos lisos, brancos azulejados “higienizados” e num dia ultimo desses vinte e cinco anos resolve de supetão armar-se de pedras e quebrar todas as vidraças, atingir todos os carros, arrancar todas as flores, danificar os brilhantes azulejos e o piso límpido, sem mais nem menos?  Presumivelmente  haveria motivo?

Quem é mais  violento, o sujeito ou o Estado?

Podemos considerar a violência pessoal, o crime cometido por indivíduos oriundos do meio dos despreparados, dos desfavorecidos, dos precariados, dos desiludidos das promessas vãs e enganadoras de um  sistema de bem-estar,  como sendo uma  re-ação, uma defesa, uma contrapartida, um contra ataque, consciente ou inconsciente, por conta da privação provocada e “intencional”, do vácuo de meios, recursos e acessos, combinada com a indiferença e desatenção de parte da sociedade, do Estado e de instituições sociais?

Outro fato, é que a violência e a criminalidade, não se circunscreve a mortes, e nem podemos apontar como condição motora, a drogadição ou a condição social , e nem esquecer de pensar que tanto vitimas quanto vitimados não devem se prestar a justificativas e nem a medidas de espetacularização midiáticas.

Podemos também  suspeitar que  há uma violência consciente, intencional, calculada e deliberada, qual uma eugenia dissimulada, uma higienização camuflada que se caracteriza pelo  “deixar morrer”, pela costumeira ação de não querer saber se outros são deixados a morrer:  de frio, fome, sede,  por atropelamentos e acidentes automobilísticos frutos do desleixo irresponsabilidade e desprezo pela vida por parte de condutores arrogantes, egoístas, bêbados, mal educados, psicóticos que caçam ciclistas e pedestres, ou os que estacionam sobre as calçadas jogando o pedestre para o leito da rua;  ou o “deixar morrer” por conta da opressão estrutural  social, institucional ou estatal,  pela ausência ou precariedade tramada nos bastidores de caça-votos do saneamento básico, esgotos, banheiros sanitários comunitários, alimentação balanceada saudável, salubridade  higiênica, cuja falta – saneamento e alimento -  leva a moléstias e epidemias, contaminações muitas vezes fatais por conta de outra “morte” oriunda do descaso público pela falta de atendimento médico, hospitais,  etc.; tudo isto também não constitui um crime e uma violência do sujeito contra outro sujeito, de um individuo contra outro, do Estado contra seu cidadão?

E que dizer da quantidade e intensidade das mortes, violências e crimes produzidas pelas subversões, manipulações e violações  das leis por parte dos “representantes eleitos”, pelos “barões e capitães” de industrias, dos parasitários do poder pelo poder, dos gerentes ilusionistas do capital financeiro especulativo, das indústrias de bebidas alcoólicas e de armas?

Que dizer da violência maior  do cidadão comum ao furar uma fila, ao desrespeitar o direito de idosos, ao desrespeitar discriminar e preconceituar  gêneros e opções sexuais ou opções religiosas? E do flagelo patriarcal patrimonialista de “machos  proprietários” contra as mulheres? E a criminalização judicante dos jovens, dos rebeldes, dos contestadores, a culpabilização oficial e oficiosa  dos favelados, dos miseráveis, dos sem-teto, dos filhos das ruas e vielas, tudo isso não é mais do que a violência cotidiana patrocinada, midiatizada e patrocinadora?

Não é crime maior e violência explicitamente consentida a exploração e midiatização das imagens de supostos suspeitos em revistas policiais ou a imagem dos sem camisas, dos desafortunados, dos sem gravatas e sem ternos, dos sem colarinhos brancos,  ou a espetacularização do rosto, do nome, da família  e a pronta e rápida conceituação como bandido, marginal, “sujeitinho”,  dos rotos e precariados?

Não será essa conceituação, espetacularização, exposição exagerada midiática dos crimes do “andar de baixo”,  e o ocultamento, despiste e disfarce dos crimes e violência dos afortunados do “andar de cima”, uma forma subliminar de controle, de legitimar arbitrariedades e violações de direitos por parte da classe dominante?

Essa espécie de proposital vitimização das elites dominantes como forma de explicação e justificação, não será uma espécie de perversão, auto isenção,  e auto permissão para repressão, vigilância, prontidão armada e excessos policialescos e judiciários?

Será estratégia da elite dominante, dos controladores do poder, se auto configurarem como vulneráveis, como vítimas, como fragilizados e como “indefesos” mesmo portando  armas de fogo “autorizadas”,  etiquetando todo o resto que os cerca como algozes, como vândalos, baderneiros, bandidos e escória,  para noutra ponta autorizar e legitimar o autoritarismo e a violência do Estado ou a sua própria violência, truculência e arbitrariedade, e os gastos sem controle e sem referencia com aparato de “segurança pública”?  

Não é do interesse dessa minoria dominadora apresentar-se como vítima, criar movimentos “sociais”, organizar grupos que especulam com o pavor, o medo, mas cujo intuito obscuro é aterrorizar a sociedade, criar a cultura do medo para justificar maior repressão, controle,  domínio e expurgar os “sujos” e  “mau-cheirosos” do seu meio?

Qual é a face da violência?

Segundo o sociólogo alemão Götz Eisenberg, hoje os atores dos atos de violência e crimes não provêm apenas das “regiões complicadas”, e de pronto estigmatizadas e criminalizadas, ou de meios proletários ou subproletários, nos quais certa violência faz parte da vida, mas também das classes médias, dos precariados, das famílias “sem histórias”.

E não será exagero constatar que o Estado ao  diabolizar a violência, e endemoniar as relações entre atores de classes diferentes e de patamares ascendentes e descendentes,  nas relações cotidianas, e que ao “treinar” policias e militares  não para solução e intermediação de conflitos, educando-os para integração e interação na sociedade, mas formando e cultivando uma formação peculiar de militares e policiais com ar de brutalidade, arrogância e onipotência em muito contribui com a crença que não teremos uma saída humana e democrática para o problema em pauta.

E não é com pouca indignação que sabemos da decisão estatal empurrada goela abaixo da sociedade de forma autocrática, em autorizar que policiais entrem em escolas PÚBLICAS de ensino, de forma acintosa, armados, portando escudos, sob o pretexto de procurar drogas, traficantes e prevenir a violência e os crimes, mas de fato, pelo próprio proceder enviesado intimidatório,   produzindo violência  dissimulada, aterrorizando alunos e intimidando professores que tentam proteger seus alunos, ou dos episódicos atos de violência truculenta com que procedem nas retiradas, desocupações, manifestações, contestações e protestos de jovens, estudantes, professores, moradores das periferias, etc., cuja intenção clara é de subjugar, impor a força, mostrar poder e humilhar os manifestantes/contestadores, de forma tão forte, autoritária e feroz  que já passa até a inquietar  e preocupar a própria burguesia liberal  conservadora.

Há uma “democracia” que o Estado diz praticar, mas que se configura mais do que nunca puramente formal e se limita à escolha periódica entre os representantes das diferentes nuanças da mesma gestão.

A priori, sem qualquer dúvida,  mudanças radicais na legislação e na cultura politica são necessárias. 

Urge que se processe o aprendizado de provocar e exigir uma prestação de contas minuciosa e constante daqueles encarregados dos serviços públicos, uma cultura com autonomia e coragem para cobrar de forma rígida uma transparência clara e real,  e impor o cumprimento da liberação autônoma de informações das instituições, formar na sociedade um modus operandi cotidiano para preceituar a responsabilização pelos instituidores e elaboradores da legislação, e simultaneamente efetivar uma profunda e detalhada análise da estrutura e funcionamento do sistema jurídico-politico dominante.

Enfim, temos hoje uma cidade dividida em quarteis e castelos protegidos de muros robustos guardados pelo rendoso e prospero comércio de vigilancia privada, em cjo interior abrigam-se carros luxuosos blindados e “do lado de  fora” rodeada de feudos,  e um pouco mais além, estrategicamente isolados, longe das vistas, das vias de trafego, dos acessos de percurso cotidiano dos “senhores” e de seus capatazes, distante das praças nobres, dos parques etc., removidos pelas estratégias falaciosas das remoções e desocupações em nome do progresso e desenvolvimento, vingam e se perdem as “choupanas de pau a pique” dos degredados, dos invisiveis, dos “deserdados”.

Como, quando e de que forma construiremos uma cidade de todos, para todos e horizontalizada em suas relações, vivencias e tratos? Uma cidade sem lados aonde não necessitemos de “salvadores” e “articuladores” de causas sociais  que no fundo mais se prestam a ser ou criar instrumentos de cooptação e controle com distribuição de "pirulitos", lençóis, roupas usadas, leite, brinquedos, sem ensinar a brincar, cozer, cozinhar, e desviam o foco, a ótica eaatenção dos objetos e objetivos mais que necessários tais como: abertura de escolas, postos de saúde, campos de esportes em geral, oficinas de formação em teatro, leitura, escrita, abertura de bibliotecas comunitárias, criação de mais praças e vias de passeio para o flanar dos pedestres, na circularidade e horizontalidade da cidade, respeitando  obviamente o digno e correspondente trato remuneratório dos profissionais de forma justa?  

Por fim, aos intelectuais, aos formadores de conceitos e opiniões, a camada mais esclarecida, aos artistas, poetas, escritores, aos saídos formados da academia, das universidades,  de que forma e com que meios devem agir participativamente na formação cívica-cidadã, politica e educativa dos desinformados, deserdados, e invisíveis do sistema representativo vigente?

Um  povo “libertado”, um povo “salvo” será um povo tutelado,  jamais um povo livre, pois  sempre haverá o “salvador”, o “libertador”, o “ungido” pronto a substituir o povo.  

 

F. Vilemar F. Costa  -  vilemarfc@gmail.com  -  (85)99372697