sexta-feira, 24 de janeiro de 2014





Se tivermos que pintar o retrato de um ser social feliz, de um sujeito completo em sua humanidade, temos de atribuir-lhe atividades como:


Ler muito, fazer cursos formadores em artes, literatura, cinema, fotografia, visitar periodicamente amigos e familiares, fazer caminhadas flanando pelas ruas de sua comunidade, despreocupadamente e desinteressadamente, ir à praia semanalmente, ou a uma lagoa, ou a um açude, visitar museus, realizar atividades humanitárias, ter um passatempo predileto, ter um trabalho que lhe permita  tempo necessário para planejar, realizar e usufruir das atividades de sua preferencia, elencadas acima,  reconhecer e sentir qual o seu real valor como parte da humanidade.


Isso significa a volta ao caminho e condição natural da verdadeira natureza humana.


O ser, o existir, o sujeito-ator, ficará apenas como um retrato pintado numa mureta nos subterrâneos da sobrevivência?


Vilemar F. Costa, Francisco  -  23.01.014


 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A EMANCIPAÇÃO


NOVO HUMANO NOVA SOCIEDADE: A EMANCIPAÇÃO

Diz-se que as reclamações mais contundentes, as negações mais fortes contra politicas públicas e sociais para os menos favorecidos, para os marginalizados e excluídos do sistema e da ordem, partem daqueles que temem seu próprio passado...

Sabe-se ainda que uma crítica infecunda, uma negação,  aliadas a uma reivindicação é apenas afirmação de si e cobrança de interesses particulares, às vezes, quiças, de uma categoria e não de toda uma classe, e assim sendo ela se perverte  e se torna briga, confronto agressivo contra direitos e interesses de outros...

Não se deve construir um direito “para mim”, obter uma conquista, destruindo ou desqualificando uma justa e perfeita conquista ou um direito do outro...

Não podemos e nem devemos assumir um discurso crítico como se defesa fosse contra “injustiças”, contra desvios de meios ou de finalidades, argumentando que beneficia “quem não merece”, ou tira de um “melhor” e mais “útil” e beneficia um de importância menor ou que é um beneficio desnecessário, e agir como se esse “benefício”, “melhora”, ganho fosse um presente para o outro , levando o pensar que isso é um extremo perigo para mim, meu interesse e para a sociedade.

Não devemos ser irracionais ao ponto de colocar meus interesses ou de uma categoria visível, coberta por politicas e com resguardos econômico-financeiros fortes,  em detrimento dos benefícios de uma categoria, classe ou de indivíduos marginalizados, excluídos do sistema, da ordem, invisíveis para as politicas públicas e sociais, alheados e desemponderados da ordem econômica financeira...

A tensão politica e social que afeta epidemicamente povos e nações ao redor do mundo, reclama por reversão de prioridades e exige a abertura de caminhos para novas possibilidades de construir uma sociedade livre da pobreza extrema e da miséria, livre das exclusões sociais, isenta de preconceitos de cor, classe, gênero e sexo, um novo caminho aberto com afeto e fraternidade, mas também com instinto e firmeza, em que se erga uma sociedade livre dos especuladores e das forças alienantes e imperiais do mercado.

A onda de rebeliões, movimentos, manifestações, que varre o mundo, revela a esperança na igualdade – que não significa homogeneidade -  e credita na caridade, solidariedade, empatia e alteridade a força suficiente para soterrar a ganancia, a ambição e o egoísmo.

O vento radical que sopra das vielas, das favelas, das periferias das cidades, das periferias da sociedade e suas movimentações sociais, clama por redução dos contrastes, pela mitigação dos problemas sociais, e pela redução majoritária das desigualdades econômico-financeiras e sociais.

Uma repensada e ressuscitada democracia participativa republicana deve incorporar os fora da ordem, os marginalizados, os invisíveis das periferias, os excluídos e aqueles sobre quem recaem os preconceitos, esse nova sociedade, sem os  alicerces assentados nesta em que apenas sobrevivemos, repensada e construída radicalmente com outra argamassa, forjara o homem real que não é dono mas parte integrante e partilhante da natureza, nem será dono, senhor, feitor, patrão do outro, e  definirá um novo igualitarismo heterônomo, não homogêneo, distributivo e livre, para o bem geral desta grande família humana nesta enorme casa que é nosso planeta Terra.

Entretanto,  devemos aceitar que nossos mecanismos de resposta e de defesa contra esse sistema que  nos aliena e nos deixa hipnotizados, estão com defeito. Necessitamos descer até eles em nosso interior, em nosso psíquico e consertá-los, e para isso não temos de fazer um curso de psicologia complexa: observando atentamente e raciocinando sem vícios e paixões, podemos conseguir. Não haverá revolução possível sem uma profunda transformação de nossa psique a nível individual porque a nossa mente está  programada pelo sistema. E, portanto, para mudar o sistema que nos aprisiona, devemos primeiro desinstalá-lo de nossa mente.

E advirto,  a solução não se resume a metafisica, religião, esoterismos, místicas novas, salvadores, gurus e guias, etc., pois isto são armas usadas pelo sistema…

Parafraseando uma citação de Rosa Luxemburgo acredito que é preciso autodisciplina interior, maturidade intelectual, seriedade moral, senso de dignidade e de responsabilidade e todo um renascimento interior do homem. Com homens acomodados – hipnotizados e postos em cômodos, conformados- dormitando dentro de fôrmas da matrix, enquadrados – conduzidos encantados para dentro das caixinhas quadradas do sistema,  levianos, egoístas, mecanizados, individualistas, irrefletidos e indiferentes não se pode realizar o caminho em direção a outro mundo possível e de possibilidades humanas,  à emancipação humana e a uma outra sociedade mais justa e verdadeira.

Quebrar a doxa e o paradigma  que o sistema construiu em nosso corpo e mente, ao longo de séculos, despertar da hipnose e libertar-se do fetiche, nos possibilitará formarmos uma real e verdadeira comunidade humana, construindo, por conseguinte, a circularidade sem um centro,  e a horizontalidade sem linhas demarcatórias, em nossos procedimentos, nos contatos, nas relações, nas convivências, nas estruturas sócio-políticas e na vivencia consigo próprio.      -      Vilemar F. Costa, Francisco – 20.01.013

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014


DA LEVEZA DA SUTILEZA DE VOAR

A busca da leveza como reação ao peso de viver, como Perseu, que voa com sandálias aladas e sustenta-se sobre as nuvens e o vento, para decepar a cabeça da medusa, é nossa fortuna.

Esta sustentação no que há de mais leve, se traduz em nosso cotidiano na capacidade de nos salvar naquilo que há de mais frágil, no que há de mais aparentemente perecível e tênue: a vida, a amizade, a alteridade, a solidariedade.

Voar aqui não se trata de uma fuga para o sonho ou o irracional ou mesmo para longe de nós. O voo procura pela leveza nos levar a outra realidade: a da sutileza.

E aqui se trata de mudar de ponto de observação e considerar o mundo sob outra ótica, outra lógica, outros meios de conhecimento.

A leveza neste ponto está associada à precisão e à determinação, características da sutileza, e nunca ao que é vago ou aleatório.

Atento ao que disse Paul Valéry:  “É preciso ser leve como o pássaro e não como a pluma”.

Curioso é que ao homem, tanto quanto ao pássaro, é reservado voar em determinados momentos da vida, e em outros momentos é imperativo fazer uso das “asas” com que voamos para amortecer a queda.

E, aos humanos e aos pássaros, é determinado que  com as mesmas asas de voar carreguem o peso de viver a outro ponto de vida, para mudar o lugar de observação do mundo, e, considerando as sutilezas do que é denso, descobrir e deter o segredo da leveza.

Imperativo se faz saber então, que por nossa ontológica faculdade de voar, temos em nós a leveza do ser e de ser.

F. Vilemar F. Costa  -  12/12/13