quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A EMANCIPAÇÃO


NOVO HUMANO NOVA SOCIEDADE: A EMANCIPAÇÃO

Diz-se que as reclamações mais contundentes, as negações mais fortes contra politicas públicas e sociais para os menos favorecidos, para os marginalizados e excluídos do sistema e da ordem, partem daqueles que temem seu próprio passado...

Sabe-se ainda que uma crítica infecunda, uma negação,  aliadas a uma reivindicação é apenas afirmação de si e cobrança de interesses particulares, às vezes, quiças, de uma categoria e não de toda uma classe, e assim sendo ela se perverte  e se torna briga, confronto agressivo contra direitos e interesses de outros...

Não se deve construir um direito “para mim”, obter uma conquista, destruindo ou desqualificando uma justa e perfeita conquista ou um direito do outro...

Não podemos e nem devemos assumir um discurso crítico como se defesa fosse contra “injustiças”, contra desvios de meios ou de finalidades, argumentando que beneficia “quem não merece”, ou tira de um “melhor” e mais “útil” e beneficia um de importância menor ou que é um beneficio desnecessário, e agir como se esse “benefício”, “melhora”, ganho fosse um presente para o outro , levando o pensar que isso é um extremo perigo para mim, meu interesse e para a sociedade.

Não devemos ser irracionais ao ponto de colocar meus interesses ou de uma categoria visível, coberta por politicas e com resguardos econômico-financeiros fortes,  em detrimento dos benefícios de uma categoria, classe ou de indivíduos marginalizados, excluídos do sistema, da ordem, invisíveis para as politicas públicas e sociais, alheados e desemponderados da ordem econômica financeira...

A tensão politica e social que afeta epidemicamente povos e nações ao redor do mundo, reclama por reversão de prioridades e exige a abertura de caminhos para novas possibilidades de construir uma sociedade livre da pobreza extrema e da miséria, livre das exclusões sociais, isenta de preconceitos de cor, classe, gênero e sexo, um novo caminho aberto com afeto e fraternidade, mas também com instinto e firmeza, em que se erga uma sociedade livre dos especuladores e das forças alienantes e imperiais do mercado.

A onda de rebeliões, movimentos, manifestações, que varre o mundo, revela a esperança na igualdade – que não significa homogeneidade -  e credita na caridade, solidariedade, empatia e alteridade a força suficiente para soterrar a ganancia, a ambição e o egoísmo.

O vento radical que sopra das vielas, das favelas, das periferias das cidades, das periferias da sociedade e suas movimentações sociais, clama por redução dos contrastes, pela mitigação dos problemas sociais, e pela redução majoritária das desigualdades econômico-financeiras e sociais.

Uma repensada e ressuscitada democracia participativa republicana deve incorporar os fora da ordem, os marginalizados, os invisíveis das periferias, os excluídos e aqueles sobre quem recaem os preconceitos, esse nova sociedade, sem os  alicerces assentados nesta em que apenas sobrevivemos, repensada e construída radicalmente com outra argamassa, forjara o homem real que não é dono mas parte integrante e partilhante da natureza, nem será dono, senhor, feitor, patrão do outro, e  definirá um novo igualitarismo heterônomo, não homogêneo, distributivo e livre, para o bem geral desta grande família humana nesta enorme casa que é nosso planeta Terra.

Entretanto,  devemos aceitar que nossos mecanismos de resposta e de defesa contra esse sistema que  nos aliena e nos deixa hipnotizados, estão com defeito. Necessitamos descer até eles em nosso interior, em nosso psíquico e consertá-los, e para isso não temos de fazer um curso de psicologia complexa: observando atentamente e raciocinando sem vícios e paixões, podemos conseguir. Não haverá revolução possível sem uma profunda transformação de nossa psique a nível individual porque a nossa mente está  programada pelo sistema. E, portanto, para mudar o sistema que nos aprisiona, devemos primeiro desinstalá-lo de nossa mente.

E advirto,  a solução não se resume a metafisica, religião, esoterismos, místicas novas, salvadores, gurus e guias, etc., pois isto são armas usadas pelo sistema…

Parafraseando uma citação de Rosa Luxemburgo acredito que é preciso autodisciplina interior, maturidade intelectual, seriedade moral, senso de dignidade e de responsabilidade e todo um renascimento interior do homem. Com homens acomodados – hipnotizados e postos em cômodos, conformados- dormitando dentro de fôrmas da matrix, enquadrados – conduzidos encantados para dentro das caixinhas quadradas do sistema,  levianos, egoístas, mecanizados, individualistas, irrefletidos e indiferentes não se pode realizar o caminho em direção a outro mundo possível e de possibilidades humanas,  à emancipação humana e a uma outra sociedade mais justa e verdadeira.

Quebrar a doxa e o paradigma  que o sistema construiu em nosso corpo e mente, ao longo de séculos, despertar da hipnose e libertar-se do fetiche, nos possibilitará formarmos uma real e verdadeira comunidade humana, construindo, por conseguinte, a circularidade sem um centro,  e a horizontalidade sem linhas demarcatórias, em nossos procedimentos, nos contatos, nas relações, nas convivências, nas estruturas sócio-políticas e na vivencia consigo próprio.      -      Vilemar F. Costa, Francisco – 20.01.013

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