quinta-feira, 2 de janeiro de 2014


DA LEVEZA DA SUTILEZA DE VOAR

A busca da leveza como reação ao peso de viver, como Perseu, que voa com sandálias aladas e sustenta-se sobre as nuvens e o vento, para decepar a cabeça da medusa, é nossa fortuna.

Esta sustentação no que há de mais leve, se traduz em nosso cotidiano na capacidade de nos salvar naquilo que há de mais frágil, no que há de mais aparentemente perecível e tênue: a vida, a amizade, a alteridade, a solidariedade.

Voar aqui não se trata de uma fuga para o sonho ou o irracional ou mesmo para longe de nós. O voo procura pela leveza nos levar a outra realidade: a da sutileza.

E aqui se trata de mudar de ponto de observação e considerar o mundo sob outra ótica, outra lógica, outros meios de conhecimento.

A leveza neste ponto está associada à precisão e à determinação, características da sutileza, e nunca ao que é vago ou aleatório.

Atento ao que disse Paul Valéry:  “É preciso ser leve como o pássaro e não como a pluma”.

Curioso é que ao homem, tanto quanto ao pássaro, é reservado voar em determinados momentos da vida, e em outros momentos é imperativo fazer uso das “asas” com que voamos para amortecer a queda.

E, aos humanos e aos pássaros, é determinado que  com as mesmas asas de voar carreguem o peso de viver a outro ponto de vida, para mudar o lugar de observação do mundo, e, considerando as sutilezas do que é denso, descobrir e deter o segredo da leveza.

Imperativo se faz saber então, que por nossa ontológica faculdade de voar, temos em nós a leveza do ser e de ser.

F. Vilemar F. Costa  -  12/12/13

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