domingo, 9 de fevereiro de 2014


A  solidão entra pelos meus ouvidos  e sob seu negror solto o meu desabafo.
É noite e esta deveria ser a hora  em que me recolheria, mas será mais um noite insone, agitada, chorosa.
Pouco mais de seis décadas, anos a fio a vida me dá suficientes lições de humildade, tolerância, alteridade,  e eu as apreendo todas no compasso de uma construção.
Consciente estou que ao longo dos anos fiz algo construtivo, real, benéfico, porque ao longo dessas décadas a vida me deu boas e fortes lições de humanidade ao colher as experiências ora duras, sofridas, dolorosas, ora leves, felizes, agradáveis.
Pelo caminho de pedras, areia, suor, sal, poeira, poesia, flores, luz, sombra, perdas e ganhos,  consegui encontrar um sentido, propósito e significado da vida: O OUTRO, a alteridade, a empatia, o cuidar de si cuidando do semelhante, a solidariedade sem caridade e indulgencias.
E de repente mais uma vez a vida me chama ao real da dor, recebo mais um aprendizado do desencanto, da desesperança, do desespero, meus limites se esgarçam e apresentam nos lanhos minhas insuficiências e limitações...
Nesses dias meu mundo é um risco mergulhado em angustia, incapacidades físicas e mentais, desarmonia psicológica, pulsão da solidão e depreciação, decepções...
Abatido e desanimado, a consciência me alerta de minha vulnerabilidade e diz não poder eu sozinho mudar a situação que passo, ou suportar o sofrer do peso da incapacidade de contornar as faltas pecuniárias e traumas físicos e psíquicos recentes...Me falta a humanidade?  E a Totalidade, Clareza, Inteireza, Pertença,  em que balsas cruzam o rio?
Quem melhor me traduz é Murilo Mendes :
“Meu corpo está cansado de suportar a máquina do mundo.
 Os sentidos em alarme gritam:
 O demônio tem mais poder que Deus.
 Preciso vomitar a vida em sangue
 Com tudo o que amaldiçoei e o que amei.
 Passam ao largo os navios celestes
 E os lírios do campo têm veneno.
 Nem Job na sua desgraça
 Estava despido como eu.

 Vi o meu retrato de condenado em todos os tempos
 Espero a tempestade de fogo
 Mais do que um sinal de vida.”


Fico ainda e também com Leminsky,  - quisera eu ter escrito isto:

“Nunca sei ao certo
 se sou um menino de dúvidas
 ou um homem de fé
 certezas o vento leva
 só dúvidas ficam de pé.”

Paulo Leminsky


Vilemar F Costa 07.02.2014

Nenhum comentário: