quarta-feira, 20 de maio de 2015

PARA DAQUI A MAIS QUATRO DIAS
Fazer aniversário é uma experiência instigante e lancinante nos dias que fogem algumas vezes frustradores.
Contudo marca que de alguma forma consegui mais um ano de vida, ou seja, 365 dias de alegrias, tristezas, realizações, decepções, desilusões, esperanças despedaçadas, luzes, sombras... E poesia que me diz não ter vida em vão.
365 dias passados nos acontecimentos bons ou ruins, 365 dias e dias em que o tempo não para, não espera, em que uma Roda intermitente gira.
365 dias idos, e os mortos no umbigo e no sangue todos os sacrifícios...
Hoje, um sorriso sem paz, uma melancolia não se move, a alegria pronta a descer na próxima estação, e a solidão desnecessária a sangrar achaques.
Vida amarga vez ou outra adocicada num oásis, no intercurso dessa viagem através do difícil cotidiano impreciso.
Vida, movimento, experiência, maturidade, cansaço e esse planeta que para mim é um verdadeiro mistério, pelo qual passo extasiado, pasmo, maravilhado, e para o que não busco provisórias explicações dessas que rolam convenientes pelo mercado e pela prateleira das livrarias e das vozes ou da televisão.
E, findo o dia natalício, depois da noite, poderá  surgir mais um prognóstico de que, provavelmente, mais alguns dias de oportunidades se abrem para   "ser feliz".  E que tal não pode se basear no egoísmo, nem no esquecimento do próximo, do semelhante, do vizinho, do amigo, do inimigo, dos familiares, pois afinal estamos no mesmo barco e cidade e planeta.
E após, na meia-tinta do alvorecer, um oraculo jogará os dados.
E por um dia a mais, ser comum, singular e plural, na contingencia do mais-tempo e de mais-espaço para, descalço, flanar praças, cruzar calçadas, andar ruas, encontrar gentes, conhecidos, amigos, amigas, parentes, passar desencontros, deglutir  sopa de letras e tencionar a multi-mãos  construir  o  "paraíso terrestre".
Entretanto, eu quero mesmo um aniversário amnésico, cru, ambulante, aberto, nu, inventado, verdadeiro, bruto, inteiro, mágico, familiar, louco, feliz.  Nem frio, nunca  morno, pois a mediocridade é o esterco fertilizante da hegemonia, do senso comum atávico normativo. Mas que seja especialmente  quente, solar.
Neste dia que por mais que anseie o Caminho, me baste ao menos agarrar ferozmente a um modo de andar, num passo certo. O Caminho, isso não encontrei. Mas nesta busca  anos a fio, sempre me foi dado uma grande certeza: meu caminho não sou eu, é o outro, é  os outros. Eis  o meu porto de partida.
Enfim e por fim, que neste intentado natalício, seja mais um dia, do fim ao começo, na busca de um gozo na arte, de um percorrer deslizante rumo ao por do sol e ao apagar da chama... E antes que a chama se apague e tudo se torne um único clarão brilhante na passagem, sujeitar-me-ei  riscar um belo poema, insistirei na construção de um poema alegre na aurora nascente, onde a gênese da palavra se esconde e se manifesta com a permanência do verbo.

Vilemar F. Costa   -   20.05.2015 

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